Nunca vou esquecer aquele primeiro beijo na porta do cinema, mas confesso que o meu preferido foi aquele de quando você estava indo embora e me chamou quando eu já estava entrando em casa, me chamou só por mais um beijo, aquele beijo! Estou aqui agora te escrevendo e ouvindo aquela música que você me mandou em uma manhã qualquer e disse: " hoje eu te ofereço essa música ". Te confesso que também estou THINKING OUT LOUD sobre o quanto estou te querendo para mim. Porque eu troco meu enigmatismo clássico por teu desespero qualquer, troco beijos sem nome por tentar colocar meu sobrenome nos teus-nossos filhos. Rabisco cartões de bom dia e mensagens indecentes, todas com meu nome de remetente, troco geladeiras gulosas por teus sucos verdes estranhos.
Te admiro por conseguir me deixar calada, e olha, isso é muito difícil, porque a vida inteira tive sempre o costume de estar com a razão. Te gosto pelas nossas diferenças, porque me faz ouvir Samba, e por falar em Samba, acho o máximo quando em meio às nossas horas de conversa você começa a cantar as músicas do Diogo Nogueira ou do Chico Buarque, o que me importa mesmo é a intimidade que me dá em ouvir o teu tom desafinado. Queria conseguir decifrar o que tem por detrás desses teus olhos turvos feito mar em dia de tempestade, eu apenas mergulho, me perco, me encontro.
Nesses últimos dias, percebo que aquele dizer que "o tempo cura tudo", nem sempre se aplica, pois o tempo nem sempre cura, às vezes ele mata também, de saudades[...] Estou com saudades do teu abraço e da tua barba também, saibas que abandono qualquer encontro casual por tentar buscar a eternidade ao teu lado.

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